Eleições em países aliados, alerta da Otan de que está começando a ficar sem estoque de armas e até a chegada do inverno conspiram contra Kiev.

A guerra na Ucrânia está entrando em um momento crucial, que pode definir a sorte do país em seu conflito com a Rússia. Mas a conjuntura não parece nada favorável a Kiev.

O governo ucraniano vai ter que enfrentar pelo menos três grandes desafios simultâneos que ameaçam seriamente a sua capacidade de resistência contra os russos.

Desafio 1
O primeiro e mais importante deles é o aparecimento das primeiras rachaduras na frente ocidental que fornece apoio decisivo para o esforço de guerra do país. Os lentos resultados obtidos na linha de frente durante a contra-ofensiva ucraniana, que já dura meses, começam a ser questionados por vários políticos de países aliados – especialmente aqueles que estão disputando eleições.

Na vizinha Eslováquia, um país membro da União Europeia e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), o ex-primeiro-ministro Robert Fico ficou em primeiro nas eleições de domingo (2) prometendo acabar com a ajuda ao ucranianos.

Outro vizinho, a Polônia, que foi uma das primeiras aliadas de Kiev, também entrou em atrito com o governo do presidente Volodymyr Zelensky às vésperas da eleição geral de 15 de outubro.

O governo polonês começa a ser questionado por quanto tempo vai continuar enviando bilhões para o esforço de guerra, além de ter recebido mais de 1,6 milhão de refugiados — o que sobrecarrega o sistema de serviços públicos do país. Pior ainda, o próprio Congresso dos Estados Unidos, o país mais importante na aliança ocidental, decidiu no último sábado (30) deixar de fora de um acordo temporário do orçamento federal americano uma ajuda de US$ 6 bilhões que tinha sido prometida pelo presidente Joe Biden aos ucranianos.

Vários congressistas, especialmente os republicanos, argumentaram durante as discussões que Washington já havia enviado ajuda mais do que suficiente para a Ucrânia.

Além disso, congressistas também questionaram a falta de avanços significativos dos militares ucranianos em sua ofensiva que já dura meses, afirmando que isso sugere que a guerra será muito longa e que Kiev vai continuar pedindo ajuda financeira sem nenhum limite.

Desafio 2
Um segundo grave desafio veio a público nesta terça-feira (3), quando o próprio chefe do Comando Militar da Otan, almirante Rob Bauer, admitiu que a aliança militar está começando a ficar sem armamentos e munições para enviar para as Forças Armadas da Ucrânia.

Bauer, o militar mais graduado da aliança, pediu que os governos e os fabricantes de armas ocidentais “aumentem a produção em um ritmo muito mais rápido”.

A Ucrânia dispara milhares de projéteis todos os dias e quase todos agora vem da Otan.

O ministro da Defesa do Reino Unido, James Heappey, também afirmou que os arsenais militares ocidentais estão ficando escassos, e pediu para todos os membros da Otan passarem a gastar o equivalente a 2% dos seus PIBs nacionais na defesa –como sempre prometeram, mas nunca fizeram.

Desafio 3
Por fim, até a iminente chegada do inverno pode prejudicar a Ucrânia, limitando as possibilidades de movimentação no terreno.

Como é muito mais fácil defender do que atacar no inverno rigoroso, esse fator pode diminuir ainda mais a probabilidade dos cruciais avanços rápidos na linha de frente – para manter a coesão dos aliados e não pressionar demais o fornecimento de armas da Otan.

Neste momento, os ucranianos literalmente correm contra o tempo em sua luta contra a Rússia.

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