Relatora da comissão que apura atos de 8 de janeiro deve trazer indiciamentos de núcleo bolsonarista; opositores trabalham em documento para culpar atual governo pelas invasões. O relatório paralelo da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga os ataques criminosos de 8 de janeiro, que está sendo escrito por parlamentares da oposição, será usado como arma política por deputados e senadores que tentam emplacar a narrativa de omissão do atual governo durante as invasões das sedes dos Três Poderes.

Mesmo admitindo que não terão espaço nem para a leitura do documento na CPMI, o material está sendo redigido com a intenção de contrapor a versão defendida pela relatora, senadora Eliziane Gama (PSD-MA), e pela base governista. O deputado Delegado Ramagem (PL-RJ) coordena a elaboração do relatório paralelo, e tem sido auxiliado por Felipe Barros (PL-PR) e Esperidião Amim (PP-SC). Outros parlamentares da bancada também devem participar, fazendo pontuações e incluindo detalhes que consideram importantes.

Além do indiciamento de Gonçalves Dias, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), que é tido como certo, o relatório da oposição também deve apontar a ausência da Força Nacional na praça dos três Poderes no dia 8 de janeiro e uma suposta negligência do ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino.

Os parlamentares, no entanto, ainda avaliam se vão de fato pedir o indiciamento de Dino. A ideia é limitar o relatório às provas obtidas pela CPMI, como documentos, quebras de sigilo e depoimentos coletados ao longo dos trabalhos do colegiado, para não dar margem para o questionamento de informações sobre fatos que antecederam as invasões.

Sobre a ausência da Força Nacional, por exemplo, o depoimento da cabo da Polícia Militar do Distrito Federal Marcela Pinno será usado como argumento.

À CPMI, a policial disse que os agentes da Força Nacional só teriam chegado após as 18h, quando os criminosos já tinham entrado nos prédios públicos e causado destruição.

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