Segundo levantamento do Idis, 84% dos entrevistados afirmaram fazer doações em 2022, contra 77% em 2015.

Celebrado nesta terça-feira (28), o Dia Mundial de Doar é marcado pela mobilização da sociedade em prol de ações de solidariedade e pela união de entidades filantrópicas. Internacionalmente, a data é chamada de Giving Tuesday.

Em 2022, o Brasil registrou o maior número de pessoas que fizeram algum tipo de doação, segundo dados da terceira edição da Pesquisa Doação Brasil, do Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (Idis), com apoio do Movimento Bem Maior. Dos entrevistados, 84% afirmaram fazer doações, contra 66%, em 2020, e 77%, em 2015.

“O Dia de Doar é um marco bastante importante no fortalecimento da cultura de doação no Brasil. É um movimento internacional que veio para o Brasil há alguns anos e tem apoiado no fortalecimento da sociedade civil engajada, nas mais diversas causas: saúde, educação, inclusão, área ambiental”, diz Marcella Coelho, Diretora de Mobilização e Relações Institucionais do Todos Pela Educação.

Seca no Norte
A região Norte do país enfrenta uma estiagem histórica, que afeta mais de 599 mil pessoas apenas no Amazonas. Os baixos níveis dos rios da Bacia Amazônica comprometem a navegação e, consequentemente, o abastecimento e fonte de renda de comunidades ribeirinhas que dependem das hidrovias. Mesmo assim, a pesquisa mostra que o número de pessoas que fazem doações ou ações voluntárias caiu na região Norte.

O diretor de Operações e Relações Institucionais do Movimento Bem Maior, Richard Sippli, afirma que as entidades seguem mobilizadas para auxiliar as pessoas em situação de vulnerabilidade, mesmo com as dificuldades enfrentadas.

Neste mês, uma ação de ajuda humanitária organizada pela Cáritas da Prelazia de Tefé, Exército Brasileiro, Central das Associações dos Moradores e Usuários da Reserva Amanã (Camura) e Aliança Amazônia Clima, doou 200 cestas básicas e 7.200 litros de água, atendendo a 340 famílias de 17 comunidades da Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Amanã, no interior do Amazonas.

A Fundação Amazônia Sustentável (FAS) que atua no auxílio às comunidades, entregou doações de 80 cestas básicas, 240 garrafões de água mineral de 20 litros, 80 caixas d´água de 500 litros, 80 filtros de barro de 8 litros, 400 litros de combustível e 5 palhetas de motor para 80 famílias que moram nas comunidades de Betel e Braga, na Reserva do Lado do Piranha. As doações arrecadadas da FAS até o momento ultrapassam os R$ 100 mil.

“É extremamente relevante que a doação seja fortalecida para que a gente tenha uma democracia cada vez mais robusta, ainda mais num país tão desigual como o Brasil, com inúmeras carências e muitas coisas a serem melhoradas, para que todas as pessoas tenham a oportunidade de terem uma vida digna”, afirma Marcella Coelho.

Chuvas no Sul
A Associação Brasileira de Bancos e a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) contabilizou R$ 4 milhões em doações para auxiliar no socorro às pessoas impactadas pelas fortes chuvas no Rio Grande do Sul.

O Sul apresentou a maior alta no número de pessoas que fazem doações, de acordo com a pesquisa. Em 2020, a região tinha 30% de doadores. O número subiu para 38% em 2022. A outra região a apresentar alta foi o Centro-Oeste, com um salto de 27% para 32%.

A região recebeu unidades móveis com capacidade para preparar 4.500 refeições por dia, lavar até meia tonelada de roupas e oferecer atendimento psicológico à comunidade, pela Carreta Solidária da Agência Adventista de Desenvolvimento e Recursos Assistenciais (Adra).

“Micro doações se transformam em milhões que são extremamente relevantes para chegarem na primeira ajuda, durante as primeiras horas de necessidade”, Marcella Coelho.

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